6.11.12


Falas mas ouço unicamente ruídos abafados pelas barreiras negras do meu génio.
Gritas para que acorde com as chamas, mas como queres que ressinta algo, quando o meu próprio corpo não obedece ao meu apelo impaciente de viver? 
Um conjugado de sensações de impotência apoderam-se da minha essência, esventrando, derrubando e matando cada pedaço livre do meu bem-estar, apenas deixando espaço para obscuridade e insensibilidade. Mergulho em água límpida e quente contudo o meu corpo contorce-se em frieza - milhares de vidros, golpeando a minha pele, evisceram a minha existência pura.
A altura em que chorar mil lágrimas acordava o meu corpo da dormência que o possuía, há muito se perdeu num miserável espectro segmentado. Agora, somente resta a atitude desesperada de me fustigar vezes sem conta calculando em (talvez) sentir.
Executo uma vida em cada golpe. Desperdiço subsistência tão necessitada e tento-me a aprofundar a incisão, tentando num último acto, atingir o que, incansavelmente, procuro.
O meu cadáver desperta. Lava o nojo e esconde a vergonha. Não deixando a podridão privada, volta à aparência arranhada.