30.6.10

Foste, és e serás.


Talvez precise de ti. Ou talvez não e seja apenas o hábito que te chame de encontro a mim. Talvez nem te queira agora. Amei-te? Realmente amei. Amei-te até ao último segundo que acabei de escrever esta palavra. E continuo a amar-te enquanto respiro, continuo a amar-te enquanto vivo. És um palhaço. És um palhaço que todos os dias de manhã se dirige a mim com palavras peculiares que me fazem sentir como a rapariga mais bela e excepcional do mundo. És um palhaço que se visse na rua era inepta de olhar e não beijar. És um palhaço que eu não consigo evitar de reviver 24 horas por dia. És um palhaço que quanto mais palhaço é mais desejo me dá de correr para os teus braços. És um palhaço que quando choro me faz rir. És um palhaço que me fez crer que o mundo era estupendo e que para sempre me protegeria. És um palhaço que me abandonou vezes sem conta quando mais precisava. És um palhaço que a cada dia que passa mata um pedacinho de mim para dar lugar à saudade e à mágoa. És um palhaço que finge amar-me e desejar todos os centímetros de mim. És um palhaço que me atraiçoa, me decepciona e me faz sentir doente com a sua ausência. És um palhaço de madeira que não sente remorsos por ter destruído a felicidade que ainda me sobrava. Mais que um palhaço, és um palerma. Um palerma por ter desistido de o que de mais harmonioso tínhamos, de ter deitado fora tanta autenticidade de que o nosso amor consistia. Sempre que deito a cabeça na almofada lembro-me sempre de algo que rapidamente se associa a ti, posso estar a magoar-me mas eu lembro. Lembro porque relembrar-te, fantasiar contigo e amar-te é o sentido da minha presença. Se não lembrar sinto que algo de mim está perdido. Foste quem mais amei. Nada vai mudar isso, nem mesmo todas estas cicatrizes.



2 comentários:

Redondo disse...

acho que é o melhor texto teu que li (:

Redondo disse...

eu mencionei que era dos "que li" xD