9.8.10

Poderia repetir que és e sempre serás o outro pedacinho de mim, mas depois do longo caminho que caminhámos e das pegadas que deixámos numa nuvem ensopada de recordações, ao longo deste ano, já não será preciso. Apenas deixo um longo sopro de orgulho pela (linda) história que ambos partilhámos.O silêncio fez parecer tudo inteligível. Manteve-nos presos à ignorância (talvez esperança) que um dia, um dia tivéssemos a coragem para dizer adeus, para que nos libertássemos daquela atmosfera de melancolia onde a destruição do imaginário indestrutível nosso amor, que outrora fora maravilhoso, julgávamos ser impossível. Quando tudo acabou, ficámos encurralados numa imensidade de arrependimento desejando voltar atrás. Eu talvez. Tu. Apenas mostras-te remorsos e pesar, depois de tocares com os teus lábios nos de uma outra rapariga que mais tarde destroçada ficou, ao fim de contínuas juras de amor, que fizeste esvoaçar, como o vento que passa velozmente entre os nossos cabelos, tal como comigo o fizes-te. Respondo-te com desprezo, afasto-te de mim, digo mil vezes ao dia que não existes, que és um belo sonho, mas apenas um sonho, nada mais. Que unicamente a imagem é real. É nesse sonho que te tornas magnifico e imagino seres o meu rei. Quando me puxas para ti, quando me beijas com força, quando fecho os olhos e me tocas docemente no ventre enquanto sustenho as lágrimas por te ver partir novamente. Nesta utopia, sim és meu e eu sou tua, eternamente e sem mágoa. Nesta utopia nada acabou, felizes fomos e seremos. Vês-me sangrar ao proferir a eterna saudade de um nós que detenho entranhada nas minhas veias e infiltrada nas minhas lágrimas, nestas curtas linhas desenhadas especialmente para ti, e nada fazes. Imóvel. Assim permaneces a ver-me sangrar, a ver-me cair. Quase que ouço o teu riso de satisfação ao assistir a tal espectáculo, definido por ti como ‘’exagero’’. Depois de conquistada pela solidão, voltas de novo e mais uma vez metes a tua máscara e finges ser o rapaz quem amo (ou amava?). Pegas na minha mão através de uma ilusão, e dizes que comigo queres ficar, que sou e sempre fui a única rapariga que te fez chorar, por tanto me amares, repetes a frase que tanto me fez arrebatar de paixão naquela noite, repetes ‘’és o meu metro e meio de perfeição’’ e aí entrego a alma ao diabo… cega, acredito e prometo que a teu lado sempre ficarei. És assim. És agressivo, és rude comigo sem te aperceberes, raramente me dás palavras verdadeiras apinhadas de paixão. Mas és assim. É assim que amas. Foi lindo, para mim foi a mais bela história de amor que já conheci. Nada daquelas patetices dos contos de fada. Simples e verdadeira, única, diferente, completamente anormal, que um dia poderei partilhar com o mundo, com todos os pormenores necessários e sublimes. É verdade. É doloroso o fim. É confuso e é simples. É amor, é verdadeiro amor. É uma doença sem cura. É um pranto de desilusões doces e confortáveis. É o (nosso) amor. Mas acabou (?), agora sim, acabou (?). Nunca (?) mais irei pensar em ti com o que carinho que pensava, nunca (?) mais irei olhar para as memórias com a ternura que demonstrava, nunca (?) mais me entregarei a ti com a alma que entregava, nunca (?) mais dedicarei tempo a ouvir as tuas repetidas desculpas de segundos. Nunca mais (?). Depois de ver o que vi, depois de sentir as pernas tremerem e os olhos baixarem por apenas me lembrar de um simples toque de mãos, que naquele agora (longínquo) insignificante dia, se deu, a resposta a constante pergunta que duplicava para mim mesma todas as noites e todos os dias, finalmente teve a resposta. Falta-me a coragem para enfrentar essa solução de frente. Mas essa: um dia virá. Mantenho a esperança que um dia te verei correr para mim a dar-me finalmente uma jura verdadeira de que unidos permaneceremos, e até lá te digo: *****

6 comentários:

André Santos disse...

Como já te disse, rebentaste-me com este :o
Está muito bom, acredita que sim.
Gostei particularmente desta parte: "Foi lindo, para mim foi a mais bela história de amor que já conheci. Nada daquelas patetices dos contos de fada. Simples e verdadeira, única, diferente, completamente anormal, que um dia poderei partilhar com o mundo, com todos os pormenores necessários e sublimes. É verdade. É doloroso o fim. É confuso e é simples. É amor, é verdadeiro amor. É uma doença sem cura. É um pranto de desilusões doces e confortáveis."

incógnita disse...

há que acreditar...e sonhar

P' disse...

O que é que eu disse ? :o

P' disse...

Eu também não. ahah

Rita Ferreira disse...

Adorei simplesmente!

Vou seguir

friendshiptoalways disse...

não tenho palavras para a tua forma de escrever :$