10.9.11

Chama-se somnium.


Posso tocar-te, abraçar o teu rosto com as minhas mãos e acarinhar o teu peito com o meu. Posso olhar-te nos olhos e sentir os teus braços a envolverem-me. Sentar-me no teu colo e ficar agarrada ao teu pescoço, enquanto tentas devolver a tua atenção para o computador, sem muito sucesso. Posso caminhar sobre ti, com os meus lábios, e trincar o teu nariz enquanto tapo os teus olhos com as minhas mãos. Posso dizer-te que te odeio, te amo, te desejo, que tenho orgulho no que és, que poderia viver apenas do que temos. Posso sentir o teu ardor viciante quando chamas por mim. Calar-te com um chocho de meiguice. Sentir a dor do primeiro segundo de saudade quando nos desamarramos.

Sonhar contigo não é apenas normal e até cliché. Sonhar contigo é a minha maneira de reagir aos anos -luz que nos separam, é a maneira como o meu corpo reage à nossa doença e me permite respirar, é como o meu corpo expulsa os terrores, a vontade de querer fugir na direcção oposta. Sonhar contigo não só me ajuda a conservar as nossas memórias como também me ajuda ultrapassar a impossibilidade de não te poder dar a mão todos os dias.

Quando sonho contigo posso manter em mim o nosso absolutos amor: sempre real, sempre tão nada perfeito, sempre são, sempre singular, sempre fora dos padrões, sempre nosso.

Quando sonho contigo, e os anos-luz limitam-se a centímetros e consigo então restituir todas as vezes que escutei o bater do teu coração e senti a tua pele nua sobre a minha, permito a mim mesma que vá até aos lugares mais escondidos e busque a magia inexistente, mas tão presente, para que traga até mim um pedaço de ti, mais real que apenas imagens de um passado recente que me aparecem ao fechar dos olhos.

O melhor de sonhar contigo, é quando essa magia irreal de que falo, aparece. Ao despertar do sol, ou mesmo da lua, seja a que hora for, seja onde for, depois de ter atiçado as sensações que provocas em mim em sonho, acordo e sinto o teu cheirinho de menino nas minhas roupas, na minha pele, no ar. E posso finalmente de longe, sentir-te comigo mais uma mísera vez. Será que também sentes o meu aroma nos teus lençóis? Penso nisso todas as manhãs em que estive contigo no dia anterior. Faz-me bem pensar que sentes. Tu fazes-me bem. O teu perfume rápido desaparece, mas os segundos que o senti, que te senti, são agora os melhores segundos do meu dia, ou pelo menos, os que mais valeram a pena de se viver.

Amor caecus, mas contigo aprendi a não racionalizar tudo ao pormenor e a deixar-me cair, deixar o jogo seguir por si.



Hoje sonhei contigo, sentiste?

5 comentários:

Sue disse...

the xx : night time

Mariana disse...

"O teu perfume rápido desaparece, mas os segundos que o senti, que te senti, são agora os melhores segundos do meu dia, ou pelo menos, os que mais valeram a pena de se viver." Existem momentos tão assim... Adorei!

qu1cksand disse...

Hoje sonhei contigo, sentiste? - Adorei!

Anónimo disse...

Dos textos mais lindos que já li :) Identifico-me tanto com o que escreves! Parabéns!

Fernando Gonçalves disse...

Olá, parabéns pelo seu blog.
Te convido a conhecer o meu,
http://carmasepalavras.blogspot.com/

;)